Qual origem e destino do seu amor?
- Equipe ICTS

- 27 de abr. de 2021
- 5 min de leitura
Em nome do amor tudo se faz. Por amor à liberdade de poder dizer o que se quer, as pessoas acabam machucando umas as outras, com línguas afiadas que cortam mais do que navalhas a carne alheia e por vezes suas feridas chegam a penetrar na alma. Pelo amor à riqueza algumas roubam, se corrompem, colocando cifras onde deveria bater um coração. Por amar a paz, as pessoas matam ainda mais, levantando a bandeira do politicamente correto repleta de sangue e dor, mas é a luta pela liberdade e todo mal é justificável. Alguns por amar o amor que se sente, cultivam o ódio por aqueles que não gosta de quem eles gostam, o famoso ódio solidário, e ainda há quem diga que o ódio e o amor precisam caminhar lado a lado.
Países já foram conquistados, governos derrubados, mundos transformados com tal apelo. Mas essas mesmas pessoas não se perguntam, em nome do amor, o que não se faz, do que se abre mão, quem você deve ser ou quem deixar de ser. Este sentimento usado apenas para emocionar discursos inflamados ou convencer pessoas a atitudes extremistas não representa uma forma genuína de bem querer, não passa de falso amor.
Consigo enxergar na falsidade certa homenagem ao respeito e à boa convivência, pois se as pessoas fossem dizer umas às outras sempre o que realmente pensam, dificilmente o mundo daria certo. Mas a falsidade consigo mesmo é perigosa, principalmente porque ela permite que você machuque os outros e não se responsabilize por isso. Ela contamina seu corpo, sua mente, sua visão sobre as coisas, sua alma. Imagine que seus sentimentos habitam em seu corpo, como em recipientes com água. Quando você se torna falso consigo mesmo para alimentar coisas como egoísmo, a insegurança, o ciúme excessivo e o controle, a água que cuida do amor fica turva. Não estou dizendo que, nesse caso, o amor não existe, mas ele acaba sendo utilizado para o propósito errado. Isso não é uma escolha que possa ser feita como um botão que se aperta, é um processo. O falso amor é, como toda ilusão, uma satisfação a curto prazo. Ele existe pra preencher a necessidade de um indivíduo e é aí que existe o detalhe. Porque a sua necessidade deveria ser maior que a felicidade de alguém? Maior que a liberdade de alguém? O falso amor te aprisiona e é como uma avalanche. Quando se manifesta destrói tudo no caminho, inclusive você. Ninguém vai te repreender por isso, porque a maioria das pessoas acredita no mesmo equívoco. Ele mexe com a sua vaidade e ameaça colocar o homem em face do maior medo que a sociedade atual enfrenta: a solidão. Ele justifica seu desespero, seu egoísmo, sua raiva, seus erros, mas ao mesmo tempo tira de você a coisa mais preciosa que se pode ter durante uma vida: poder amar uma pessoa de perto e vê-la ser feliz verdadeiramente. As pessoas não dão valor pra isso porque não se atentam pro quão curta uma vida consegue ser e que nada garante que você vá encontrar essa pessoa novamente.
Se você ama alguém o certo não é pensar o quanto você quer, mas o quanto você pode ajudá-la a ser feliz. Se ela resolver ficar com você, se isso for um interesse mútuo no caminho, parabéns, tudo deu certo no final. Mas se não... se isso for machucá-la e se transformar em algo nocivo, se você realmente ama essa pessoa coloque-se no seu lugar ajude-a a partir, a se fortalecer, porque no fim da vida você vai ter a certeza que faz algo realmente certo e verdadeiramente bondoso durante sua passagem. Não é fácil amar de verdade. Dói. Dói muito mais que o falso amor. Pode parecer destrutivo pois muitas vezes ninguém vai saber do que você abriu mão. Talvez nem a pessoa pela qual você abriu mão. Por isso tem que ser genuíno, precisa ser orgânico. O impulso do egoísmo e da sua vontade sempre vai existir, mas cabe a você identificá-lo e não ceder. Não se pode amar alguém de verdade esperando que a pessoa vá voltar, porque aí não vai ser sincero. Ela tem que querer ficar e, honestamente, há muito mais chances quando ela pode ser livre ao seu lado. Não importa cor, raça, gênero, o amor de verdade é um só e ele tem uma força muito maior do que apenas fazer seu coração vibrar. Ele é capaz de te fazer evoluir porque é um encontro de almas. Não é só romântico e nunca se sustentará através de interesses superficiais. É um calafrio na espinha que se sente uma vez só, que é capaz de te assustar, mas que também é capaz de te fazer gigante, como um trovão estrondoso no meio de um céu dominado pela escuridão. Lembra dos recipientes com água que guardam os sentimentos? Nesse pote, esse amor transborda a água limpa como um cristal e preenche todos os outros eliminando qualquer resquício de sujeira. Te coloca em um estado de proximidade com o outro onde não há medo, raiva, angústia ou agonia que se sobressaia a essa vibração. O amor só pode curar. E o começo disso é entendendo a si mesmo e, logo após, o próximo. Entender a si mesmo para que os possíveis danos que você cause sejam controlados em primeiro instante, mas entender o próximo para saber o que ele precisa.
O tempo é o bem mais precioso que um ser humano possui e, utilizado com amor, torna-se uma dádiva. Quando você usa o seu tempo para fazer alguém feliz, seja na sua presença ou na sua distância, mas dar importância para os pensamentos e sentimentos do outro. E acredite, num mundo cheio de grandes acontecimentos a todo momento, é em um detalhe que você pode mudar a vida de uma pessoa. Talvez esse seja o verdadeiro significado de sucesso. Em um mundo onde quase ninguém enxerga o próximo, ser capaz de abrir mão da sua vida, dos seus interesses e instintos naturais para enxergar a realidade do outro, cuidar, dar atenção para o olhar compassivamente a outra pessoa. Deixar o outro ir, libertá-lo se preciso for. Enxergar o melhor para quem você ama. O amor é a riqueza da alma. Mas diferente de todas as riquezas, essa todos possuem, só não estão procurando no lugar certo ainda.
Sendo assim, podemos crer que todo amor tem uma raiz, uma origem que a transforma em algo magnífico e podemos direcionar tal sentimento de maneira saudável e edificar uma nova perspectiva de vida. E você, qual a origem e destino do seu amor?





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